quarta-feira, 1 de abril de 2009

Torço por Priscila

Sim, eu tenho alguns preconceitos. É duro admitir isso, porque sou do tipo que odeia preconceitos e já fui capaz de me sentir superior a eles. Mas vez ou outra sou obrigada a admitir que nem sempre resisto aos conceitos formados sem conhecimento de causa.

Aconteceu nesta última edição do Big Brother.

Sim, eu assisto Big Brother e consigo me envolver com as emoções humanas ali representadas, apesar do exagero do merchandising e das manipulações, algumas evidentes demais.

O caso é que olhei com muito preconceito para uma das participantes, Priscila. Ficou claro que ela foi escolhida pela semelhança com as tais mulheres-frutas. É muito parecida com a mulher-melancia. E tem cara de atriz pornô.

Agora, eu mesma pergunto: e daí? Priscila não tem qualidades só porque se enquadra na moda de comparar bunda com melancia?

Ela percebeu logo a armadilha em que poderia cair. No meio do programa, chorou ao falar sobre o olhar estreito que o mundo lhe dirige. Na edição de ontem, Fran, uma das participantes, admitiu que via Priscila justamente com essa visão. E, na convivência, percebeu que ela não é só uma mulher que inspira aos homens pensamentos eróticos. Ninguém é só isso.

Fran descreveu a moça de Mato Grosso como uma mulher que precisou enfrentar a vida, criar os irmãos menores e lutar por uma vaga ao sol.

Assisto Big Brother, mas não chegava ao ponto de torcer contra ou a favor de algum participante. Pelo menos até hoje. Sei, Priscila vai sair e posar para a Playboy, ganhando ou não o R$ 1 milhão. Provavelmente fará dinheiro com sua figura sensual. De novo, faço a pergunta para mim mesma: e daí?

Desta vez, torço sim. Torço por Priscila. Talvez até como forma de aprender de vez a combater o preconceito.

quinta-feira, 26 de março de 2009

O Brasil é outro

Realmente, não dá para dizer que o Brasil é o mesmo de sempre. Operação escandalosa da Polícia Federal na Camargo Corrêa, prisões de diretores, escuta na cúpula... E condenação e prisão da dona da Daslu... Paulo Skaf, o poderoso da Fiesp, na berlinda por causa de suposto lobby entre políticos e a empreiteira famosa...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Nova mãe

Laine, uma de minhas entrevistadas que acompanho online, está grávida. Ela foi personagem de uma matéria sobre aborto. Perdeu um bebê no início da gestação, ficou muito mal, mas encontrou força ao ler o livro "Perdi meu bebê. Por quê?". Laine passou a fazer parte de uma comunidade na internet de mães que passaram pelo mesmo drama. Uma consola a outra, dá força, conta histórias de tristezas superadas. Como a dela, agora eufórica com o bebê na barriga.

Eu também já passei por isso. Perdi um bebê no segundo mês de gestação, antes de ter meus dois filhos. Tinha contado para Deus e o mundo sobre a gravidez, já tinha brinquedos dados por amigas, roupinhas, etc. É muito duro, mas passa. Hoje, mão de duas crianças, quase não lembro mais desse episódio.

Uma mulher que perde um filho em gestação fica desamparada. Perde temporariamente o contato com o obstetra, porque não existe mais o bebê na barriga. Fica abalada emocionalmente, mas os que estão em volta continuam a vida normal. E ainda precisa explicar várias vezes por dia o que aconteceu e ouvir frases que nem sempre ajudam.

Por isso a rede de mulheres online é tão importante. São mulheres conversando com mulheres sobre dramas que só elas entendem.

segunda-feira, 23 de março de 2009

É bom ouvir

É verdade. É sempre bom estar com os ouvidos abertos para descobrir histórias emocionantes.

James Bronze

Na última sexta-feira entrevistei o jornalista Chico Pinheiro, da Globo. Na verdade, entrevistei não é o termo correto. Ouvi as idéias dele sobre o mundo, disparadas rapidamente, quase sem tempo para perguntas e com bastante bom humor.

Chico foi convidado para uma palestra na Associação Comercial e Industrial de Bauru. Público formado por homens e mulheres de negócio, todos vestidos formalmente, bem penteados e até maquiadas (elas, claro). Com certeza esperavam um jornalista compenetrado, cheio de informações e dicas econômicas. Chico não é nada disso.

Ele chegou de camiseta e descontraído. Estranhou a entrevista coletiva marcada pelos organizadores. "Vocês são repórteres? Eu também", lembrou. Começou a palestra imitando Chacrinha, confirmou não ser especialista em economia e até revelou sua primeira reação diante do tema da noite, o associativismo. "O que é isso?"

Bom, mas o que quero contar é que foi muito engraçado - e inusitado - ver o jornalista simpático, fã de música brasileira e de cerveja questionar o mercado justamente para os homens e mulheres que fazem o mercado. Ele chegou a falar no fim do mundo, por causa do desrespeito às leis da natureza (estas sim fundamentais) e do consumismo enlouquecido.

Chico estava indignado com uma cena chocante mostrada no jornal que apresenta em São Paulo, o SPTV. As imagens levadas ao ar são de um advogado morto afogado dentro do próprio carro, na enchente da semana passada, na capital. A água cobriu o carro e o socorro chegou tarde. Um horror.

Mas também falou de coisas alegres. De James Bronze, um nordestino que conheceu em Porto de Galinhas, numa semana de folga. James é vendedor ambulante. Trabalha na praia. O bordão dele, entre uma venda e um mergulho no mar: "Eu me lovo". Qual a razão de tanta auto-estima, quis saber o jornalista branquelo? James lembrou que trabalha no paraíso. Vende para estrangeiros em visita a uma das regiões mais bonitas do Brasil. Mergulha no mar toda vez que tem vontade. Está sempre bronzeado. Gasta o que ganha e mora numa casa pequena, mas adorável. "Vou dormir cansado e feliz", arrematou.

"Essa figura vem na contramão de tudo que a gente tem pregado, o tal mercado...", concluiu Chico, encantado com James Bronze.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Meninos

Nem sempre é possível manter a distância emocional de pessoas retratadas em matérias jornalísticas. Quanto tem criança na história então, o envolvimento, no meu caso, é bem grande. Já aconteceu algumas vezes e para falar a verdade não vejo problema nenhum nisso.

Acompanhei, por exemplo, o drama do menino Sinclair, vítima de um raro câncer no cérebro desde muito pequeno. Ele viveu até os dez anos, passou por várias cirurgias e era uma criança esperta e carinhosa.

Conheci Sinclair e os pais quando a família acabara de receber a pior notícia de suas vidas. O tumor estava muito grande, não havia chance de sobrevivência, o menino deveria ser feliz nas semanas que restavam.

Os pais procuraram o jornal para pedir uma corrente de orações. O pedido e a história de Sinclair foram divulgados e, a partir daí, acompanhei o curto resto de sua vida. Foi muito triste. A última vez que vi Andréa, a mãe, ela vestia uma camiseta com o rosto do filho estampado e carregava o boneco do Banana de Pijamas, uma espécie de amuleto que acompanhou Sinclair em todas as cirurgias. Ele já tinha morrido.

Um caso mais alegre, apesar de cheio de sobressaltos, é o do pequeno Thiago, de apenas três anos. Ele nasceu com a chamada síndrome do meio coração, passou por três cirurgias, faz tratamento pesado e diversas terapias. Thiago está nas páginas do BOM DIA desde que era um bebezinho. A vida dele é quase um milagre. Por causa de uma matéria que assinei, conseguiu vaga numa escola particular - outra instituição havia rejeitado o menino por ele ser especial. Quase toda semana fico sabendo alguma novidade sobre o pequeno grande valente.

E agora ele começou a andar, o que levou muita gente a ficar emocionada. Thiago só conseguia se locomover usando uma motoca. Agora dá passados usando um andador, um grande progresso para o pequeno.

Nossa, é uma notícia positiva que vale o dia, a semana, o mês... Fiquei com lágrimas nos olhos.

Vejam o vídeo

Dado, Clodovil, John e Marilyn

Por um lado, a prisão do ator Dado Dolabella é exagerada. Ir para a cadeia só porque esteve no mesmo camarote da Sapucaí que a ex-namorada? Acho demais. Por outro, não deixa de ser um alerta poderoso para os pitboys que circulam por aí. Bater em mulher agora é crime. Vai para a prisão. Igual o Dado.

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O tablóide "Meia Hora", do Rio, foi ousado hoje ao manchetar a morte do deputado e estilista Clodovil. "Virou Purpurina", cravou o jornal. Com letras coloridas, brilhantes. Eu gostei. Usou um bordão dos gays e não ficou deselegante.

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Comecei a ler "Marilyn & JFK", o livro que conta a relação bombástica entre o presidente John F. Kennedy e a atriz Marilyn Monroe. Estou bem no início, mas a narrativa realmente é eletrizante, tipo cinema de ação. De cara, a auto-apresentação do autor, o francês François Forestier, dá um susto: ele afirma que para contar a história é preciso uma pilha de documentos e ter má índole. "Eu tenho", conclui.