sábado, 28 de fevereiro de 2009

O samba de Marisa

Preconceito é coisa séria. Às vezes se manifesta de forma tão bruta que fica até ridículo.

Na minha opinião, este é o caso da crítica feroz da colunista Barbara Gancia, na Folha de S. Paulo, contra a folia carnavalesca de Marisa Letícia, a primeira-dama, mulher de Lula.

Para quem não viu - será que alguém não viu? - dona Marisa desceu do camarote em que assistia ao desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, foi para o chão e dançou, animada e feliz.

Deu trabalho para os seguranças, obrigados a acompanhá-la, e provocou alvoroço no sambódromo - assim como outras celebridades que passaram pelo local.

Vi a imagem e achei simpática. Pelo que sei, Marisa é fã das manifestações populares do Brasil, inclusive mantém a tradição das festas juninas. Nada mais normal do que, em pleno Carnaval, abandonar a postura discreta que adotou no poder e cair no samba.

Pois, para Barbara Gancia, colunista que nasceu na elite, a mulher foi escrachada, ficou suada e descabelada e dançou "como se não houvesse amanhã". Ah, e cometeu o "grande" pecado de tomar uma cervejinha. Barbara até a comparou a outra primeira-dama, Dulce Figueiredo, famosa pelo deslumbramento.

Alô, Barbara Gancia!! Preconceito tem limite. Qual é o problema em sambar em pleno Carnaval? Marisa atrapalhou o quê, o desfile sem graça e morno da Mocidade Independente?

Ao contrário do que a colunista ranzinza escreveu, este não é o legado de Marisa. Jornalistas que realmente conhecem de perto o cotidiano do casal, desde a época das greves de São Bernardo, descrevem a primeira-dama como uma mulher forte, que gosta de atuar apenas nos bastidores, geralmente como uma base sólida para a família. É uma opção, que deve ter sido fundamental na trajetória do presidente.

Ano que vem, tomara que essa gente azeda caia no samba também.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Barulho no cinema

Torço para que nunca acabe o público do cinema, mas adoro as salas vazias quando vou assistir um filme. Também gosto bastante de ir sozinha. A explicação: preciso do silêncio para me concentrar e mergulhar nas histórias. Quando estas são fortes, saio até atordoada das sessões. Como se alguma coisa chacoalhasse por dentro. E preciso de chacoalhões de vez em quanto.

A última vez que fui ao cinema, no entanto, não tive sorte. A sala estava cheia e sentei ao lado de um casal falastrão de amigos. Eles entraram barulhentos, já com as luzes apagadas, e assim continuaram. Pedi silêncio, em vão. Aí é que falaram mesmo, sem parar.

Era para eu ter ficado com raiva, mas ao ouvir os comentários, o que infelizmente era inevitável, fui tomada por uma sensação de calma. Pensava: o negócio é superar e insistir na concentração diante da telona.

Aí, durante a projeção, veio uma sensação que pode até parecer feia, pretensiosa, mas é sincera: achei que era superior ao casal e que, por isso, deveria ignorá-lo.

Os dois amigos viram o filme, "Foi Apenas um Sonho", como se fosse a mais básica novela das 8. Não entenderam que a história se passa nos anos 50. Não compreenderam o drama do casal suburbano, dividido entre o conforto e a segurança de uma vida comum e a aventura de uma mudança para Paris. Ficavam confusos diante de cenas que não tinham explicações explícitas. Ou seja, além da falta de educação, têm a ignorância como característica comum.

Tenho outra sensação bastante incômoda - e também antipática - que quero confessar: acho o público de Bauru meio caipira, no mal sentido da palavra. Nunca vi ninguém tagarelar impunemente numa sala de cinema de São Paulo, por exemplo. Aqui, é como se fosse normal. Só eu pedi para o casal ficar quieto.

O que acontece?

No meio do 'deserto'

Os bauruenses têm uma relação apaixonada com a aviação - não é à toa que saíram daqui o astronauta Marcos Pontes e Ozires Silva, o fundador da Embraer.

Foi publicada no início desta semana uma matéria que fiz sobre o novo aeroporto da cidade, localizado entre Bauru e Arealva e que recebeu o nome do empresário Moussa Tobias, uma espécie de guru político muito respeitado e já morto.

O aeroporto foi inaugurado há dois anos e quatro meses, em plena campanha eleitoral. Estava em construção há muitos anos, mas a finalização da obra aconteceu às pressas para coincidir com a época em que os políticos pedem votos aos eleitores.

Apesar de novo, o "Moussa Tobias" já apresenta vários problemas - infiltrações, rachaduras, vidros quebrados, etc. Sem falar que vive semi-deserto, não tem restaurante, banca de revista e segurança no estacionamento. Por enquanto, é um empreendimento que não deu certo e já tem sinais de deterioração.

Publicada em plena segunda-feira de Carnaval, a matéria até hoje rende telefonemas e comentários dos tais bauruenses apaixonados por aviação. Num dos comentários, uma mulher é enfática: o jornal BOM DIA precisa dar um jeito nessa situação. Num telefonema, outros dos fanáticos por aviões me orientou a procurar o secretário do Desenvolvimento Econômico, Nico Mondelli, e mandar ele pedir soluções junto à Anac.

Sempre achei estranho aquele aeroporto imenso a 18 quilômetros de Bauru. Toda vez que vou até lá, a sensação se repete - a obra faraônica fica no meio do "deserto".

Muita gente que torce para o crescimento econômico da cidade focou suas esperanças no novo aeroporto, que chegou a ser chamado de internacional sem nunca ter sido. Talvez por isso a decepção tão grande e o medo do local se transformar em mais um elefante branco.

Uma das pessoas que me procurou se apresentou como piloto experiente e garantiu - as promessas jamais vão se realizar. Segundo ele, o "Moussa Tobias" não vai se transformar em grande aeroporto de cargas e não há hipótese de servir ao embarque e desembarque de passageiros internacionais.

Tomara que não seja verdade. Mas que o novo aeroporto desértico é esquisito, isso é.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Carnaval

Salgueiro ganhou no Rio, com o tema "tambores", que acho muito interessante. Vi trechos do desfile. Vi Carlinhos Brown batucando no alto de um carro alegórico. Só isso já é bem legal, Brown é das figuras mais interessantes da música brasileira. Eu acho. Mas gostei muito da Vila Isabel, que assisti inteira, sem ficar com tédio.

Muito estranho

Bauru foi a primeira cidade interiorana a construir um sambódromo, na primeira administração do ex-prefeito Izzo Filho - cassado e preso no segundo mandato. Com certeza é também a primeira cidade - neste caso acho que do mundo! - a ter um sambódromo e realizar o carnaval popular na rua. E no segundo ano consecutivo. Que coisa estranha!!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O lado bonito

Um dos casos mais descarados de corrupção que já vi teve como protagonista um vereador em começo de mandato. Ele negociou abertamente a obtenção de dinheiro ilícito, foi gravado, denunciado e cassado. Tentou desmentir, mas não deu. A voz era dele, as mentiras eram desmascaradas rapidamente, o advogado era péssimo. A carreira pública do indivíduo acabou ali. Este político tremia - literalmente - na hora de dar entrevista sobre o caso nebuloso em que se meteu. Era praticamente um corrupto declarado, mas isso não me impediu de achar constrangedor estar diante de um homem na fase mais feia de sua vida.

Teve também a história de um secretário falastrão. De novo uma gravação revelou ao público que ele sabia muita coisa, fingia não saber e nos bastidores entregava quase tudo. Era um ser estranho, cheio de pompa, mas com poucas realizações para mostrar. Sabe aqueles casos em que a fama é maior que o conteúdo? Por diversas razões, a tal gravação reveladora veio parar em minhas mãos e eu tive a tarefa profissional de divulgá-la. O secretário perdeu o emprego e a fama. Certo dia, num supermercado, reencontrei o ex-famoso. Não gostei da sensação de ver o homem que havia ajudado a derrubar.

Assisti a decadência de outros políticos. Alguns deles vi presos - uns envergonhados, outros nem isso. Num dos casos de descida ladeira abaixo, o ex-homem público não chegou a ser preso, mas ficou tão acabado mal tinha forças para responder.

Claro, jornalistas têm a obrigação de denunciar tudo de errado que chega às suas mãos. Em muitas situações a exposição pública é a única pena que os corruptos vão pagar. Não dá para ter dó na hora de fazer questionamentos, todas as perguntas são válidas.

Só que chega um momento em que não dá mais. Para sobreviver, preciso acreditar que existem exemplos positivos na humanidade. E existem, felizmente.

Hoje vou acompanhar o início da viagem de pessoas que vão passar o Carnaval em Santa Catarina, como voluntárias. São profissionais liberais que aproveitarão os dias de folga para tirar lama de casas e distribuir alimentos e roupas.

Confesso: não sou capaz disso. Talvez um dia seja. Agora tudo que não quero é conviver com o lado feio do mundo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Vida de mulher

Acordei cedo, às 7h. Ainda estava com sono, porque durmo tarde. Mas Pedro, 2, despertou, pediu mamadeira e depois quis sair do berço. Brinquei um pouco com ele, a babá chegou, falou sobre o namorado e fui tomar banho. Às 8h30 estava na rua, para comprar embalagem para presente. Paloma, 8, tem hoje à noite o aniversário da irmã de sua melhor amiga. Comprei a caixa de presente e fui buscar minha mãe para uma sessão cabeleireiro-manicure que ocupou a manhã inteira. Voltei para casa, embalei o presente, engoli o almoço e fui levar Paloma para a escola. Agora estou no trabalho. Tinha uma entrevista às 14h, mas o entrevistado desmarcou - pela segunda vez. Tenho outra matéria às 16h. Hoje já é quinta-feira, quero escrever logo as matérias de domingo, mas a semana pré-Ccarnaval é das piores do ano. Todo mundo quer deixar tudo para depois. Vou trabalhar até as 21h30, passar no supermercado e pegar a Paloma na festa de aniversário. Em casa, talvez assista o Big Brother - hoje é prova do líder, minha filha gosta quando a resistência dos confinados é desafiada. Tomo banho por volta da meia-noite e então pretendo dormir. Amanhã preciso comprar as fantasias das crianças, levar um exame no médico, procurar novas pautas...