Tem momentos em que sinto valer a pena ser jornalista e enfrentar os plantões [como este de Ano Novo], as disputas das redações, os resmungos tão comuns de repórteres e editores, os horários malucos, a overdose de café, etc.
Agora é um desses momentos.
Acabei de ler a retrospectiva do BOM DIA Bauru e lá está, na capa, a história de Thiago, 2 anos, um dos personagens de matérias que assinei este ano.
Thiago é vítima da síndrome do meio coração, já fez três cirurgias, tem a saúde frágil, mas resiste com uma carinha de sapeca e uma risada bem gostosa. Este ano enfrentou mais uma batalha - tema de minha matéria.
Foi matriculado numa escola particular, por indicação dos profissionais de saúde que cuidam dele. Acreditam que, no meio de outros crianças, teria mais motivação para andar [ele se locomove a maior parte do tempo numa motoca] e se desenvolver.
A direção da escola aceitou Thiago mas, após duas ou três manhãs de choro, desistiu de tentar incluí-lo e pediu para que fosse levado embora. A mãe levou, chocada e muito triste. Contou o fato em seu orkut, eu li e fiz a matéria.
Outra escola, com direção bem mais humana, teve acesso ao texto. A diretora ficou comovida, entrou em contato e fez questão de matricular o pequeno Thiago.
Hoje, na retrospectiva, a mãe conta que o menino ficou mais sociável e até come melhor depois que começou ir à escola. Acredita até que a melhora no coração dele tem relação com isso. Pode ter coisa mais gratificante?
Fiquei com lágrimas nos olhos e encontrei um bocado de disposição para continuar nessa vida de repórter.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Estranho
Para mim, é incompreensível. Por que alguém com a vida pela frente, cheia de oportunidades, com tantas possibilidades de diversão, o mundo para conhecer bebe e/ou se droga até morrer? Nunca vou entender isso.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Natal da Turma da Mônica
Quem foi criança nos anos 70 não esquece o Natal da Turma da Mônica, desenho que passava em dezembro inteiro e dava o clima de festa típico do fim de ano. Uma delícia. Agora tem o youtube para a gente matar a saudade e tentar reviver aquela felicidade. É muito legal.
A despedida
Ao falar na tribuna da Câmara ontem à noite, na solenidade de diplomação dos eleitos este ano, o prefeito de Bauru, Tuga Angerami (sem partido), ofereceu à cidade o melhor de sua longa trajetória política: um discurso claro, emocionado, em que ao mesmo tempo fez um balanço de sua administração e um resumo do que Rodrigo Agostinho (PMDB) encontrará pela frente.
Tuga comparou ele mesmo hoje, em seu segundo mandato, com o Tuga de 30 anos atrás, um jovem político inconformado, rebelde diante dos velhos coronéis da política nacional e até revolucionário ao descentralizar a saúde, a cultura e a educação.
Para Rodrigo, lançou palavras de admiração, de homem público no final da carreira que olha para o novo e faz uma viagem ao passado.
Foi um momento bonito - e raro - da política.
O atual prefeito também aproveitou para pedir compreensão e apoio à nova administração. Falou sobre a disposição de Rodrigo para a vida pública, de sua dedicação e vontade de realizar. Ao mesmo tempo, lembrou que não será fácil cumprir as promessas, citou a crise econômica mundial e a necessidade de clima pacífico na cidade.
"Poupem o jovem prefeito", pediu, numa frase marcante.
O discurso de Tuga teve a sorte de ser feito num dia em que, após longos anos, a cidade conseguiu o CRP (Certificado de Regularidade Previdenciária), documento que faltava para voltar a receber verbas federais e ser inserida no boom de desenvolvimento lulista e que o governo federal pretende manter mesmo com a crise global.
Ali, emocionado, falando daquele jeito e diante de um prefeito eleito jovem, animado e que gosta do contato popular, Tuga conseguiu dar uma dimensão histórica a seu segundo mandato como prefeito.
Ele foi o político experiente que teve a calma e a coragem suficiente para "arrumar a casa", pagar as contas e abrir as portas para o novo. Este encontrará uma situação privilegiada, mesmo com a crise, mesmo com o secretariado que frustra expectativas, mesmo com o fato de Bauru ainda ser uma cidade bastante pobre.
O que será para sempre difícil compreender é porque o prefeito que se despede não usou como poderia seu grante talento retórico e seu carisma nos últimos quatro anos.
A população continuaria a reclamar da falta de obras, das ruas esburacadas, do atendimento precário na saúde e dos bairros sem asfalto. Mas, com Tuga mais presente, seria também mais fácil entender a decisão de sanear as finanças primeiro para depois entregar a prefeitura a um jovem político ousado.
A opção pelo silêncio a maior parte do tempo foi cruel com o próprio prefeito - e ele parece saber disso.
Tuga comparou ele mesmo hoje, em seu segundo mandato, com o Tuga de 30 anos atrás, um jovem político inconformado, rebelde diante dos velhos coronéis da política nacional e até revolucionário ao descentralizar a saúde, a cultura e a educação.
Para Rodrigo, lançou palavras de admiração, de homem público no final da carreira que olha para o novo e faz uma viagem ao passado.
Foi um momento bonito - e raro - da política.
O atual prefeito também aproveitou para pedir compreensão e apoio à nova administração. Falou sobre a disposição de Rodrigo para a vida pública, de sua dedicação e vontade de realizar. Ao mesmo tempo, lembrou que não será fácil cumprir as promessas, citou a crise econômica mundial e a necessidade de clima pacífico na cidade.
"Poupem o jovem prefeito", pediu, numa frase marcante.
O discurso de Tuga teve a sorte de ser feito num dia em que, após longos anos, a cidade conseguiu o CRP (Certificado de Regularidade Previdenciária), documento que faltava para voltar a receber verbas federais e ser inserida no boom de desenvolvimento lulista e que o governo federal pretende manter mesmo com a crise global.
Ali, emocionado, falando daquele jeito e diante de um prefeito eleito jovem, animado e que gosta do contato popular, Tuga conseguiu dar uma dimensão histórica a seu segundo mandato como prefeito.
Ele foi o político experiente que teve a calma e a coragem suficiente para "arrumar a casa", pagar as contas e abrir as portas para o novo. Este encontrará uma situação privilegiada, mesmo com a crise, mesmo com o secretariado que frustra expectativas, mesmo com o fato de Bauru ainda ser uma cidade bastante pobre.
O que será para sempre difícil compreender é porque o prefeito que se despede não usou como poderia seu grante talento retórico e seu carisma nos últimos quatro anos.
A população continuaria a reclamar da falta de obras, das ruas esburacadas, do atendimento precário na saúde e dos bairros sem asfalto. Mas, com Tuga mais presente, seria também mais fácil entender a decisão de sanear as finanças primeiro para depois entregar a prefeitura a um jovem político ousado.
A opção pelo silêncio a maior parte do tempo foi cruel com o próprio prefeito - e ele parece saber disso.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Comédia rebelde
Na saída do cinema, ouvi uma garota comentar: "Filminho tosco". Não tem nada de tosco. O filme em questão é "Queime depois de ler", dos irmãos Coen. Sempre achei complicado catalogar obras cinematográficas. Complicado e inútil, aliás, não gosto das catalogações em geral. Não dá para chamar "Queime" de comédia pura e simplesmente. Mas também não dá para negar que algumas cenas são de humor. Humor negro, como já li numa crítica. Comédia rebelde, definiu outro crítico.
Trata-se de uma crítica ácida ao modo de viver norte-americano, cada vez mais neurótico, pelo que a gente pode perceber aqui do outro lado. A personagem de Frances McDormand exala essa neurose. Colocou na cabeça que precisa de "reinventar" para melhorar a vida. Quer fazer quatro plásticas e, para conseguir dinheiro, dispara a engrenagem supostamente esperta que acaba em matança.
Sim, tem algo que admiro na cultura norte-americana. É o fato de a liberdade de expressão ser real e não mera figura de linguagem. No filme, a famosa CIA aparece como uma máquina fria e assassina - e também atrapalhada. É uma cutucada doída, profunda e que está lá com todas as letras, sem sombra de censura.
Ainda não sei se isso seria possível em terras tropicais.
Trata-se de uma crítica ácida ao modo de viver norte-americano, cada vez mais neurótico, pelo que a gente pode perceber aqui do outro lado. A personagem de Frances McDormand exala essa neurose. Colocou na cabeça que precisa de "reinventar" para melhorar a vida. Quer fazer quatro plásticas e, para conseguir dinheiro, dispara a engrenagem supostamente esperta que acaba em matança.
Sim, tem algo que admiro na cultura norte-americana. É o fato de a liberdade de expressão ser real e não mera figura de linguagem. No filme, a famosa CIA aparece como uma máquina fria e assassina - e também atrapalhada. É uma cutucada doída, profunda e que está lá com todas as letras, sem sombra de censura.
Ainda não sei se isso seria possível em terras tropicais.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Nem eles aguentam
É quase inacreditável. Acontece neste momento a última sessão legislativa do ano na Câmara de Vereadores de Bauru. Só três dos 15 parlamentares voltam ano que vem. Alguns porque não disputaram a reeleição e outros porque perderam nas urnas. Acompanho a sessão pela TV e vejo uma cena já bem conhecida: vereadores discursam, hoje em tom de despedida, e o plenário está vazio. Poucos ouvem os pronunciamentos dos próprios colegas.
A impressão é que nem os políticos aguentam mais os políticos. Não há justificativa para que não façam um esforço e permaneçam em plenário pelo menos durante algumas horas, uma vez por semana.
Se eles estão cansados deles mesmos, imagine a população... O resultado das urnas não poderia ser outro: 80% de renovação. No mínimo a próxima formação do Legislativo chega sem o descaso demonstrado pela atual. Pelo menos nos primeiros meses.
A impressão é que nem os políticos aguentam mais os políticos. Não há justificativa para que não façam um esforço e permaneçam em plenário pelo menos durante algumas horas, uma vez por semana.
Se eles estão cansados deles mesmos, imagine a população... O resultado das urnas não poderia ser outro: 80% de renovação. No mínimo a próxima formação do Legislativo chega sem o descaso demonstrado pela atual. Pelo menos nos primeiros meses.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Madonna
O que significa os jornalistas de TV aparecerem toda hora, ao vivo, na frente do hotel onde está hospedada Madonna e darem sempre as mesmas informações: a cantora chegou discreta, está com os três filhos no Copacabana Palace, dorme na suíte presidencial e exigiu a adaptação de um salão para academia de ginástica, com cordas nas paredes. E tem também as filas em frente ao local do show, que misturam gente de todas as regiões do país.
Se não tem nenhuma novidade para contar, por que entrar ao vivo toda hora? Será que não há exagero na cobertura "baba ovo"? Ou não?
Se não tem nenhuma novidade para contar, por que entrar ao vivo toda hora? Será que não há exagero na cobertura "baba ovo"? Ou não?
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