Não tem explicação para os deputados federais que usaram suas cotas de passagens aéreas para patrocinar viagens internacionais, turísticas ou até supostamente para ganhar DINHEIRO com a VENDA para agências de turismo. Não existe justificativa, nem adianta procurar.
O que o deputado José Paulo Tóffano, do PV de Jaú, vai falar sobre o fato de ter usado dinheiro público, da Câmara, para proporcionar à namorada do sobrinho uma viagem à Europa? Que ela precisava respirar os ares europeus? Que a moça foi participar de um congresso que interessa a seu gabinete? Ou que todo mundo sempre fez isso no Congresso e ele, que acabou de chegar lá, resolveu fazer também?
A sensação é que o Congresso não sabe como responder à opinião pública mais este escândalo. Porque não tem o que falar mesmo. Até Fernando Gabeira, do PV do Rio, está envolvido. Logo ele, símbolo de uma nova era da política.
Realmente, não dá para ter esperança na política, de A a Z.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
A bronca, a casa e as senhas
Comemorei a bronca do ministro Joaquim Barbosa no presidente do STF, Gilmar Mendes. Foi uma bronca-desagravo. Não importam os motivos da discussão, mas o que Joaquim, um solitário negro na elite jurídica brasileira, disse em alto e bom som: "Eu não sou um de seus capangas do Mato Grosso", bradou. "Vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro".
Não é de lavar a alma?
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Depois da vida pesada - e estranha, repito, muito estranha - de Paulo Coelho, nada melhor que Zélia Gattai. Estou lendo um dos livros biográficos da escritora paulista, filha de anarquistas e baiana de coração. Ela tinha um texto despretensioso e saboroso. O livro é "A Casa do Rio Vermelho", onde Zélia morou com o marido, Jorge Amado, até a morte deste. Dizem que, com sorte, era possível visitar o casal na casa do bairro charmoso de Salvador. Perdi essa oportunidade. Mas ainda quero conhecer a casa, mesmo sem a presença dos dois.
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Tenho um "talento" inacreditável para escolher o caixa errado nos supermercados. É incrível. Aconteceu ontem de novo. Escolhi, escolhi e fui parar logo num caixa em que a senhora japonesa que estava na frente não lembrava suas senhas bancárias. Tentou vários cartões, remexeu na bolsa e nada. Outro dia presenciei a mesma situação, desta vez com um homem de meia idade acompanhado da mãe. Ele teve que devolver produtos e a conta não fechava. E lá fui eu, procurar outra fila que desse para enfrentar tarde da noite.
Duas observações: 1 - Esse mundo de senhas que precisam ser guardadas na memória ou anotadas em papéis secretos não é fácil mesmo; 2 - Os supermercados vivem lotados, lucram muito e não tem a capacidade de contratar funcionários suficientes para atender seus clientes de forma confortável.
Não é de lavar a alma?
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Depois da vida pesada - e estranha, repito, muito estranha - de Paulo Coelho, nada melhor que Zélia Gattai. Estou lendo um dos livros biográficos da escritora paulista, filha de anarquistas e baiana de coração. Ela tinha um texto despretensioso e saboroso. O livro é "A Casa do Rio Vermelho", onde Zélia morou com o marido, Jorge Amado, até a morte deste. Dizem que, com sorte, era possível visitar o casal na casa do bairro charmoso de Salvador. Perdi essa oportunidade. Mas ainda quero conhecer a casa, mesmo sem a presença dos dois.
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Tenho um "talento" inacreditável para escolher o caixa errado nos supermercados. É incrível. Aconteceu ontem de novo. Escolhi, escolhi e fui parar logo num caixa em que a senhora japonesa que estava na frente não lembrava suas senhas bancárias. Tentou vários cartões, remexeu na bolsa e nada. Outro dia presenciei a mesma situação, desta vez com um homem de meia idade acompanhado da mãe. Ele teve que devolver produtos e a conta não fechava. E lá fui eu, procurar outra fila que desse para enfrentar tarde da noite.
Duas observações: 1 - Esse mundo de senhas que precisam ser guardadas na memória ou anotadas em papéis secretos não é fácil mesmo; 2 - Os supermercados vivem lotados, lucram muito e não tem a capacidade de contratar funcionários suficientes para atender seus clientes de forma confortável.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Paulo Coelho
Eu não gostava de Nélson Rodrigues, por causa das frases preconceituosas e do perfil reacionário. No entanto, fiquei fascinada após ler a biografia do escritor e dramaturgo, cheia de passagens trágicas e superações.
O mesmo aconteceu com Garrincha. Como não acompanho futebol, conhecia muito pouco do jogador. A biografia dele proporcionou a descoberta de um personagem dramático e genial.
Assim foi também com Carmem Miranda e Assis Chateaubriand, o velho magnata das comunicações. A cantora, imortalizada pelos balagandâs, teve papel importante na música brasileira ao garimpar e revelar compositores, além de conquistar espaço internacional. Apesar dos métodos condenáveis Chatô, criou do nada o Masp e uma rede poderosa de comunicação.
Especialistas em biografias, os jornalistas Ruy Castro e Fernando Morais redescobrem personalidades incríveis do Brasil. A impressão é que sempre ficam apaixonados pelos seus biografados, sentimento que transmitem para os leitores.
Isso não acontece com Paulo Coelho. Pelo menos essa é a minha impressão. Nunca gostei do escritor e fico muito intrigada com o sucesso dele no mundo inteiro. Como pode? Acabei de ler "O Mago", biografia escrita por Fernando Morais, e a sensação é de estranhamento.
Internações em manicômios, drogas, experiências sexuais inusitadas, a parceria com Raul Seixas e objetivos perseguidos com obstinação deveriam fazer dele um personagem fascinante. Mas não é fascínio o que a história da vida dele transmite e sim estranheza.
Num dos episódios mais bizarros, o escritor brasileiro, já rico, contrata um amigo para trabalhar como escravo dele numa viagem à Europa. Escravo, com todas as letras e direito a passar fome. De novo: como pode?
Fernando Morais, detalhista e perfeccionista, narra todas as etapas da vida do "mago" e até o defende quando relata as críticas agressivas sofridas pelo escritor no Brasil. A imprensa, diz ele, não se preocupou em explicar as razões do fenômeno literário e sim simplesmente em atacar a obra.
Nisso acho que tem razão. No entanto, o próprio biógrafo demonstra desconfiança em vários trechos, principalmente quando se refere ao mestre de Paulo, um homem misterioso que nunca ninguém viu e cujo nome verdadeiro não é revelado pelo escritor.
Li um livro de Paulo Coelho, "O Alquimista", seu maior sucesso. Li para não ficar no "não li e não gostei". Então, li e não gostei. Sim, o escritor tem méritos. Conquista milhões de leitores, provavelmente porque sua linguagem é atraente e está de acordo com uma carência mística mundial. O fato dele ser obstinado também deve ter ajudado para o sucesso mundial. E a biografia mostra que administra seus negócios com mão de ferro e talento. Mas que é um ser esquisito, isso é.
O mesmo aconteceu com Garrincha. Como não acompanho futebol, conhecia muito pouco do jogador. A biografia dele proporcionou a descoberta de um personagem dramático e genial.
Assim foi também com Carmem Miranda e Assis Chateaubriand, o velho magnata das comunicações. A cantora, imortalizada pelos balagandâs, teve papel importante na música brasileira ao garimpar e revelar compositores, além de conquistar espaço internacional. Apesar dos métodos condenáveis Chatô, criou do nada o Masp e uma rede poderosa de comunicação.
Especialistas em biografias, os jornalistas Ruy Castro e Fernando Morais redescobrem personalidades incríveis do Brasil. A impressão é que sempre ficam apaixonados pelos seus biografados, sentimento que transmitem para os leitores.
Isso não acontece com Paulo Coelho. Pelo menos essa é a minha impressão. Nunca gostei do escritor e fico muito intrigada com o sucesso dele no mundo inteiro. Como pode? Acabei de ler "O Mago", biografia escrita por Fernando Morais, e a sensação é de estranhamento.
Internações em manicômios, drogas, experiências sexuais inusitadas, a parceria com Raul Seixas e objetivos perseguidos com obstinação deveriam fazer dele um personagem fascinante. Mas não é fascínio o que a história da vida dele transmite e sim estranheza.
Num dos episódios mais bizarros, o escritor brasileiro, já rico, contrata um amigo para trabalhar como escravo dele numa viagem à Europa. Escravo, com todas as letras e direito a passar fome. De novo: como pode?
Fernando Morais, detalhista e perfeccionista, narra todas as etapas da vida do "mago" e até o defende quando relata as críticas agressivas sofridas pelo escritor no Brasil. A imprensa, diz ele, não se preocupou em explicar as razões do fenômeno literário e sim simplesmente em atacar a obra.
Nisso acho que tem razão. No entanto, o próprio biógrafo demonstra desconfiança em vários trechos, principalmente quando se refere ao mestre de Paulo, um homem misterioso que nunca ninguém viu e cujo nome verdadeiro não é revelado pelo escritor.
Li um livro de Paulo Coelho, "O Alquimista", seu maior sucesso. Li para não ficar no "não li e não gostei". Então, li e não gostei. Sim, o escritor tem méritos. Conquista milhões de leitores, provavelmente porque sua linguagem é atraente e está de acordo com uma carência mística mundial. O fato dele ser obstinado também deve ter ajudado para o sucesso mundial. E a biografia mostra que administra seus negócios com mão de ferro e talento. Mas que é um ser esquisito, isso é.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Algumas notas
Repórter, editor e blogueiro, Ricardo Noblat é especialista em política. Daqueles que já teve como fonte o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Antecipa manchetes, sabe muita coisa dos bastidores do poder. Mas o melhor Noblat é o do Blog do Avô, em que escreve sobre a neta, Luana, desde o nascimento da menina. É do tipo vovô babão. E mantém o estilo mordaz, tendo como principal "vítima" sua filha, a mãe de Luana, marinheira de primeira-viagem daquelas que ficam meio fanáticas, sabe?
Veja aqui
************
Tenho implicância com legenda de foto que descreve a ação mostrada na imagem. Como leitora, sinto que sou chamada de idiota toda vez que vejo uma coisa dessa. Como jornalista, é comum ser obrigada a fazer as tais legendas descritivas. Parece que elas estão na moda. Viraram regra, sabe-se lá porquê. Não gosto.
***********
Já escrevi aqui que assisto o Big Brother. Vi todas as edições, mas não lembro da maioria dos participantes. Porque detesto as notícias sem informação nenhuma sobre os ex-BBBs. E elas viram praga logo depois do fim de uma edição. Uma coisa é assistir, no sofá de casa, um grupo de pessoas expondo todas as fragilidades humanas - e também as forças - dentro de uma casa fechada. Outra é ler notícias sobre os ensaios nus das garotas e os namoros dos garotos. Gosto do BBB, não do pós-BBB.
************
Preciso de um fim de semana prolongado, como o que vou ter a partir de amanhã. Venho de duas semanas seguidas de trabalho, com direito a plantão na Páscoa. E fiquei bem chateada com a morte do deputado João Herrmann Neto, que precisei cobrir. Encontrei Herrmann várias vezes nos últimos anos, fiz várias entrevistas, conheci parte de sua família e seus funcionários. Morreu numa fase em que tentava reagir à decadência política. Mantinha a empolgação, apesar das dificuldades. Além disso, achei terrível a forma como foi encontrado, boiando na piscina, num dia em que a casa estava cheia de filhos e netos. Certas coisas não deveria acontecer.
Veja aqui
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Tenho implicância com legenda de foto que descreve a ação mostrada na imagem. Como leitora, sinto que sou chamada de idiota toda vez que vejo uma coisa dessa. Como jornalista, é comum ser obrigada a fazer as tais legendas descritivas. Parece que elas estão na moda. Viraram regra, sabe-se lá porquê. Não gosto.
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Já escrevi aqui que assisto o Big Brother. Vi todas as edições, mas não lembro da maioria dos participantes. Porque detesto as notícias sem informação nenhuma sobre os ex-BBBs. E elas viram praga logo depois do fim de uma edição. Uma coisa é assistir, no sofá de casa, um grupo de pessoas expondo todas as fragilidades humanas - e também as forças - dentro de uma casa fechada. Outra é ler notícias sobre os ensaios nus das garotas e os namoros dos garotos. Gosto do BBB, não do pós-BBB.
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Preciso de um fim de semana prolongado, como o que vou ter a partir de amanhã. Venho de duas semanas seguidas de trabalho, com direito a plantão na Páscoa. E fiquei bem chateada com a morte do deputado João Herrmann Neto, que precisei cobrir. Encontrei Herrmann várias vezes nos últimos anos, fiz várias entrevistas, conheci parte de sua família e seus funcionários. Morreu numa fase em que tentava reagir à decadência política. Mantinha a empolgação, apesar das dificuldades. Além disso, achei terrível a forma como foi encontrado, boiando na piscina, num dia em que a casa estava cheia de filhos e netos. Certas coisas não deveria acontecer.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
O frei bispo
Que interessante. Um frei franciscano é o novo bispo de Bauru. Dom Frei Caetano Ferrari vem de Franca, onde tem um trabalho forte com grupos de jovens. Pelo que deu para ver por meio do google, é bastante comunicativo. Hoje já deu várias entrevistas para a imprensa de Bauru.
Não sou católica e faz tempo que não vou numa missa (gosto mais da arquitetura das igrejas do que dos rituais celebrados lá dentro). Mesmo assim reconheço o peso da voz de um bispo. Bauru tem tradição em bispos progressistas em relação às causas sociais, mas nos últimos ficou mais conservadora no aspecto religioso. Talvez isso mude, pelo menos um pouco.
Não dá para falar em frei e não citar a história de Frei Tito, massacrado pela ditadura militar brasileira. Um dos livros mais densos - e trágicos - que já li foi "Batismo de Sangue", que conta a história dele.
Os freis ficaram do lado contrário ao da repressão, assim como outras autoridades católicas da época. Frei Tito foi torturado com requintes de crueldade (aliás, eu penso, toda tortura tem requintes de crueldade). Depois, foi banido do Brasil, como um dos presos políticos trocados pelo embaixador suíço, sequestrado por guerrilheiros ligados a Lamarca.
No exílio, na França, nunca conseguiu se recuperar do pesadelo. E se matou, enforcado, pendurado numa corda.
Muito, muito triste. Tortura nunca mais!
Não sou católica e faz tempo que não vou numa missa (gosto mais da arquitetura das igrejas do que dos rituais celebrados lá dentro). Mesmo assim reconheço o peso da voz de um bispo. Bauru tem tradição em bispos progressistas em relação às causas sociais, mas nos últimos ficou mais conservadora no aspecto religioso. Talvez isso mude, pelo menos um pouco.
Não dá para falar em frei e não citar a história de Frei Tito, massacrado pela ditadura militar brasileira. Um dos livros mais densos - e trágicos - que já li foi "Batismo de Sangue", que conta a história dele.
Os freis ficaram do lado contrário ao da repressão, assim como outras autoridades católicas da época. Frei Tito foi torturado com requintes de crueldade (aliás, eu penso, toda tortura tem requintes de crueldade). Depois, foi banido do Brasil, como um dos presos políticos trocados pelo embaixador suíço, sequestrado por guerrilheiros ligados a Lamarca.
No exílio, na França, nunca conseguiu se recuperar do pesadelo. E se matou, enforcado, pendurado numa corda.
Muito, muito triste. Tortura nunca mais!
terça-feira, 14 de abril de 2009
Profissão repórter
"Profissão Repórter", comandado por Calo Barcellos, é um dos poucos programas que gosto na televisão aberta. E gosto justamente pelo critério usado por Caco, um dos melhores jornalistas do Brasil, para contratar novos repórteres: precisa ter brilho no olhar.
"Fazer entrevista é fácil. Agora, fazer uma boa reportagem, com consistência, que emocione, dá muito trabalho. É esse trabalho que queremos mostrar", diz.
O programa revela as dificuldades e as emoções envolvidas nas reportagens. Ainda inexperientes, os repórteres se dão o direito de chorar, de ficar em dúvida, de mostrar o impacto provocado pelos dramas humanos.
Tenho um pacto comigo mesma: o dia em que perder a capacidade de me emocionar ou de ficar indignada com as histórias dos outros, paro com o jornalismo e vou fazer outra coisa.
Dia desses, minha indignação, que engoli, foi com colegas de imprensa. Fui cobrir uma morte, trágica e que exigiu plantão de horas em busca de informações e imagens. Sim, passamos fome, ficamos muito cansados, não foi nada fácil. Mas episódios assim fazem parte da carreira jornalística. Os que estavam lá não escolheram ser bancários ou trabalhar oito horas batidas num escritório.
Alguns de meus colegas, acho que endurecidos pela rotina desgastante, reclamaram alto e até agressivamente perto de familiares da pessoa morta, entre eles uma criança ainda sob o choque da perda. Como se aquelas pessoas tivessem culpa do plantão inesperado. Também falaram sem parar do almoço adiado por algumas horas. Na porta de uma funerária, onde um corpo era preparado para o velório.
Torço muito para que os familiares vítimas da insensibilidade jornalística não tenham ouvido os comentários infelizes e as gargalhadas fora de hora. Ninguém merece isso.
"Fazer entrevista é fácil. Agora, fazer uma boa reportagem, com consistência, que emocione, dá muito trabalho. É esse trabalho que queremos mostrar", diz.
O programa revela as dificuldades e as emoções envolvidas nas reportagens. Ainda inexperientes, os repórteres se dão o direito de chorar, de ficar em dúvida, de mostrar o impacto provocado pelos dramas humanos.
Tenho um pacto comigo mesma: o dia em que perder a capacidade de me emocionar ou de ficar indignada com as histórias dos outros, paro com o jornalismo e vou fazer outra coisa.
Dia desses, minha indignação, que engoli, foi com colegas de imprensa. Fui cobrir uma morte, trágica e que exigiu plantão de horas em busca de informações e imagens. Sim, passamos fome, ficamos muito cansados, não foi nada fácil. Mas episódios assim fazem parte da carreira jornalística. Os que estavam lá não escolheram ser bancários ou trabalhar oito horas batidas num escritório.
Alguns de meus colegas, acho que endurecidos pela rotina desgastante, reclamaram alto e até agressivamente perto de familiares da pessoa morta, entre eles uma criança ainda sob o choque da perda. Como se aquelas pessoas tivessem culpa do plantão inesperado. Também falaram sem parar do almoço adiado por algumas horas. Na porta de uma funerária, onde um corpo era preparado para o velório.
Torço muito para que os familiares vítimas da insensibilidade jornalística não tenham ouvido os comentários infelizes e as gargalhadas fora de hora. Ninguém merece isso.
Mães
Tenho muita pena das mulheres presas que filhos pequenos. Elas podem ficar com os bebês até o fim da amamentação e depois são obrigadas a entregá-los a familiares. Imagino a dor. A ligação entre mãe e filho bebê é visceral. Só quem passa por isso para saber.
E, pelo que vejo por aí, a maioria das mulheres encarceradas foi presa por tráfico de drogas. Em geral estão envolvidas no crime como cúmplices de maridos, filhos, namorados, etc. É uma tolice, mas tenho dúvidas se a prisão é a melhor decisão nestes casos.
Uma mulher com um filho pequeno tem tudo para querer mudar de vida. O que falta são oportunidades de encaminhamento profissional, cursos de reabilitação para escapar da rotina criminosa. Eu acredito nisso.
Anteontem, nove presas do complexo penitenciário do Butantã, na zona oeste de São Paulo, fugiram após render carcereiras. Seis estavam com seus bebês no colo. Eu faria o mesmo. Nada pode separar uma mãe de um filho, quando existe amor e vontade de cuidar da criança.
E, pelo que vejo por aí, a maioria das mulheres encarceradas foi presa por tráfico de drogas. Em geral estão envolvidas no crime como cúmplices de maridos, filhos, namorados, etc. É uma tolice, mas tenho dúvidas se a prisão é a melhor decisão nestes casos.
Uma mulher com um filho pequeno tem tudo para querer mudar de vida. O que falta são oportunidades de encaminhamento profissional, cursos de reabilitação para escapar da rotina criminosa. Eu acredito nisso.
Anteontem, nove presas do complexo penitenciário do Butantã, na zona oeste de São Paulo, fugiram após render carcereiras. Seis estavam com seus bebês no colo. Eu faria o mesmo. Nada pode separar uma mãe de um filho, quando existe amor e vontade de cuidar da criança.
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